O início e o fim da cadeia

28 novembro 2018
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Os números da aquicultura brasileira, como você, leitor, pode observar na matéria de capa deste especial, são surpreendentes. Só para exemplificar, a produção de peixes superou a marca de 691 mil toneladas no último ano, de acordo com a Peixe BR, gerando uma receita de R$ 4,7 bilhões.

Diante desta expressiva marca, e potencial crescimento deste setor, é fundamental se atentar a um pequeno detalhe. Na verdade, nem tão pequeno assim: nem só de filé viva e a piscicultura.

O que isso quer dizer exatamente? “70% a 80% do peixe é descartado; sendo 20 a 30% de filé”, informa o diretor de Comercialização da Patense, Dário Kitazono França.

Tudo o que não é consumido pelo homem, como cabeça, pele, rabo e espinhas do peixe, além das cascas do camarão, por meio de alta tecnologia, desde o recolhimento até o produto final, pode ser reciclado e destinado para a produção animal.

“A farinha, como o óleo, tem uma infinidade de aplicação, como nutrição para suínos e aves, e também rações para animais de companhia. E o mesmo vale para o camarão, que pode ser utilizado pela indústria pet e, principalmente, para produção de ração para peixes”, conta Dário, e acrescenta: “Produtos de grande valor nutricional, alta digestibilidade e preço competitivo”.

Segundo Dário, esses componentes representam uma alternativa a outros insumos das rações animais. “No caso do setor de suínos, a farinha e o óleo de peixe são substitutos do plasma, geralmente ofertado aos leitões, gerando vantagens principalmente quanto ao custo da formulação e valor nutricional”, exemplifica.

Na cadeia do camarão e do peixe, os frigoríficos e peixarias são os principais responsáveis, juntamente com as indústrias de processamento de subprodutos, pela correta destinação desses resíduos. “Sem destino correto, são um grande problema”, destaca o executivo.

“O descarte inapropriado pode gerar diversos problemas na natureza, como poluição de rios e aquíferos e desequilíbrio de biomas”, aponta Dário. Ainda, a destinação desses resíduos para aterros gera chorume e, além de contaminar o solo, afeta a qualidade de vida da população próxima, por atrair animais e, com isso, disseminar doenças.

Como confirma Dário, a prática vem diminuindo, porém, de forma clandestina, ainda existe no País, visto que o correto encaminhamento desses subprodutos são previstos na legislação brasileira. E é rigorosa neste aspecto. Inclusive, faz parte da aprovação de empreendimentos desta categoria a apresentação de planos de utilização ou destinação dos descartes.

SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS

Então, caso produtor, varejista ou indústria não tenha como coletar e reciclar tais resíduos por conta própria, deve contatar empresas especializadas, detentoras de procedimentos eficiente e ecologicamente corretos. Somente assim é possível resolver o problema do descarte de forma sustentável.

A Patense, de Dário França, é uma destas companhias. “Estamos desde 1969 atuando na reciclagem e produção para bovinos, suínos e frangos e, desde 2015, para peixes”, destaca.

Com sede em Patos de Minas, a empresa conta com quatro unidades industriais espalhadas pelo Sudeste do País, sendo duas em Minas Gerais, uma no Estado de São Paulo e outra no Rio de Janeiro. No total, são mais de 600 colaboradores.

Os processos de produção da farinha de carne e ossos e sebo adotados tornaram a Patense referência nacional na produção de suplementos para rações, abrindo, ainda mercados estrangeiros para a companhia, ressalta Dário: “No Brasil, atendemos o Sudeste, Centro-Oeste e esporadicamente o Nordeste. Ainda, exportamos para importantes mercados, como os Estados Unidos e outros países das Américas e Ásia”.

Rastreabilidade total dos processos, qualidade da matéria-prima e do produto final são algumas das qualidades da companhia apontadas por Dário que a faz ser procurada pelas empresas do setor, principalmente grandes multinacionais: “Clientes exigentes e que atestam nossos produtos”.

Em relação aos óleos e farinhas comercializados, Dário destaca o elevado índice de Ômegas:

“Resulta em fortalecimento do sistema imunológico e, nos pets, atua na melhoria da capacidade cognitiva”. Focando novamente na aquicultura, em operação há cerca de dois anos em Tanguá, a Unidade do Rio de Janeiro da Patense processa cerca de 200 toneladas de subprodutos oriundos da atividade por dia. Diante dos resultados positivos, a expectativa da companhia é de ampliação do número de colaboradores para 120 e novos investimentos e projetos na região.

EM DETALHE

A farinha de peixe é um produto triturado, em pó, resultante do desengorduramento parcial e secagem por processo térmico de peixes e de partes dos animais. Já o óleo de peixe, obtido simultaneamente neste processo, se dá com a separação da fração sólida por processos de prensagem. A matéria-prima utilizada em ambos os casos é originada em estabelecimentos fiscalizados por órgãos competentes e o processamento, normas de rastreabilidade e de autocontroles na produção ocorre conforme regulamento do MAPA.

AS PRINCIPAIS VANTAGENS

Reduzem custo de formulação de rações;

Aumentam a palatabilidade da ração, melhorando a eficiência alimentar, crescimento e absorção dos nutrientes;

São isentos de fatores alergênicos ou antinutricionais.

No caso da farinha de peixe, é um produto rico em aminoácidos essenciais, em minerais (fósforo e cálcio) e óleos essenciais poli-insaturados, por isso, melhora as funções cerebrais (pets e outros animais), protege o sistema cardíaco e previne dores nas articulações;

Já os óleos de peixe são fonte riquíssima em óleos poli-insaturados (ômega 3 e 6) e em vitamina D e B12, beneficiando a saúde dos ossos e visão. Com ação antiinflamatória, fortalece o sistema imunológico. Tem, também, função antioxidante.

APLICAÇÕES

A farinha de peixes é utilizada como ingrediente para a fabricação de rações balanceadas para animais, principalmente camarões, peixes, cães e gatos, sendo muito apreciada pelo seu paladar. O produto também contribui com frações significativas de ácidos graxos poli-insaturados, ou seja, contém Ômega 3 e 6. O óleo de peixe pode ser utilizado como suplemento nutricional na alimentação de cães e gatos, devido às suas características antioxidantes e anti-inflamatórias. Ambos tem uso proibido na dieta de ruminantes.

Fonte: Revista feed&food